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Homem que espancou ex até a morte na frente da avó é condenado a 57 anos de prisão

Homem que espancou ex até a morte na frente da avó é condenado a 57 anos de prisão


Homem que matou a ex na frente da avó se justificou aos vizinhos em Cananéia, SP
A Justiça de Cananéia, no litoral de São Paulo, condenou Uanderson Gonçalves da Cruz a 57 anos de prisão pela morte da ex-companheira Camila Gomes, de 43 anos. O Tribunal do Júri concluiu que ele invadiu a casa da vítima e a espancou até a morte com socos e chutes, na frente da avó. A defesa recorrerá da decisão (veja mais abaixo).
O caso aconteceu, em junho de 2025, no bairro Acaraú. Uanderson foi detido pela Polícia Militar (PM) após fugir para o Centro da cidade, minutos depois do crime. As agressões foram presenciadas por vizinhos e avó da vítima, de 83 anos.
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Uma câmera de monitoramento flagrou o momento que o suspeito fugiu em uma bicicleta. Nas imagens, é possível escutá-lo justificando as agressões aos vizinhos. “É briga de casal”, disse ele.
O MP denunciou Uanderson pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, e por ter sido praticado na presença da avó dela.
Uanderson Gonçalves da Cruz fugiu em uma bicicleta após matar a ex, em Cananéia (SP)
Redes Sociais e Reprodução
Além disso, também foram imputados os crimes de furto e violação de domicílio, tendo em vista que o suspeito entrou na casa da mulher pelo basculante do banheiro durante a madrugada. Todas as acusações foram aceitas pelos jurados.
“A condenação imposta hoje não apaga a dor da perda, mas cumpre o papel fundamental de aplicar a lei e garantir que a sociedade paulista não tolera a impunidade”, disse o MP, sobre a decisão desta quarta-feira (17).
A pena total de Uanderson foi de a 57 anos, 7 meses e 24 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de feminicídio qualificado e furto, além de 8 meses e 12 dias de detenção em regime semiaberto por violação de domicílio, o que foi contestado pela defesa (veja mais abaixo)
“As circunstâncias e as consequências do crime extrapolaram o ordinário à espécie e, dessa forma, determinam o incremento da pena”, destacou o juiz Lucas Semaan Ezequiel, que reconheceu a violência do crime e elevou a pena pelos antecedentes e reincidência do réu.
Ainda segundo o órgão, a decisão “reflete o rigor da Justiça diante de um crime marcado pela extrema covardia e brutalidade”. O MP destacou que o caso exige resposta firme e contínua das instituições, por estar inserido no contexto da violência contra a mulher.
“O crime causou profunda comoção por ter ocorrido em Cananéia, uma cidade de pequeno porte, onde os laços comunitários são mais próximos e os impactos de uma tragédia dessa natureza se fazem sentir de forma ainda mais intensa”, concluiu.
Ainda segundo o órgão, a “brutalidade dos fatos abalou toda a população local, gerando sentimento coletivo de consternação e reforçando a necessidade de respostas firmes do sistema de justiça diante de episódios de violência tão graves”.
Defesa
Em nota, o advogado Claudio Roberto Fraga, que representa o suspeito, disse que irá recorrer da decisão. O advogado disse que, embora a defesa respeite a soberania do Conselho de Sentença, discorda da pena fixada pelo juiz-presidente.
De acordo com ele, a pena de mais de 57 anos é “fruto de uma construção dosimétrica que viola princípios basilares do direito penal, em especial o princípio que veda a dupla valoração de uma mesma circunstância em fases distintas da aplicação da pena”.
Isso porque, segundo ele, o magistrado utilizou determinadas circunstâncias do crime para aumentar a pena na primeira fase do cálculo e, depois, essas mesmas circunstâncias voltaram a ser consideradas na terceira fase.
Uma delas é a qualificadora de que o crime foi cometido na presença da avó. Segundo a defesa, isso foi utilizado mais de uma vez para ampliar a pena dos crimes no limite máximo. “Em direito penal, isso é vedado. Uma mesma circunstância não pode ser usada duas vezes para prejudicar o réu”, disse.
“Não estamos questionando o veredicto popular nem o sofrimento dessa família. O que questionamos é uma questão estritamente técnica e jurídica que ocorreu na fase seguinte, quando o juiz calculou matematicamente a pena”, disse o advogado ao g1
De acordo com Fraga, a situação resultou em um aumento indevido da condenação, motivo pelo qual pedirá ao Tribunal de Justiça de São Paulo a revisão técnica da pena.
O caso
Uanderson foi preso pela Polícia Militar suspeito de matar a ex-companheira em Cananéia, SP
Reprodução
Segundo o boletim de ocorrência, Uanderson invadiu o local pela janela do banheiro e foi até o quarto de Camila. No local, ele a agrediu com socos e chutes, na frente da avó dela.
Camila tentou fugir, mas foi alcançada pelo suspeito e agredida novamente até ficar desacordada. Em seguida, ele fugiu do local em uma bicicleta.
Nas imagens, obtidas pela TV Tribuna, afiliada da Globo, é possível ver dois vizinhos verificando o movimento na rua após escutarem os pedidos de socorro da avó de Camila. Em seguida, o vídeo mostra Uanderson passando por eles em uma bicicleta e justificando a agressão.
“É briga de casal”, disse o agressor enquanto fugia.
Adriane Aparecida de Souza é uma das vizinhas da vítima que aparecem nas imagens. Em entrevista à TV Tribuna, ela contou que saiu com o marido para prestar socorro à Camila após o suspeito virar a esquina.
“O portão estava quebrado. Quando o meu esposo viu a situação, ele já falou o meu nome, né? Eu saí correndo, gritando o nome dela. Aí, vi ela jogada no chão, toda machucada. De longe, deu para ver [que a Camila estava] com muita dificuldade para respirar”, contou Adriane.
A vizinha e o marido acionaram a Polícia Militar, que chegou no local junto com uma ambulância. Camila chegou a ser socorrida, mas morreu no pronto-socorro em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
Uanderson Gonçalves da Cruz disse aos vizinhos que era uma ‘briga de casal’ enquanto fugia, em Cananéia (SP)
Reprodução
Prisão
O suspeito foi detido posteriormente por uma equipe da PM, no Centro da cidade, com o celular da ex-namorada. A corporação foi informada que, na tarde anterior ao crime, o casal havia se separado. Eles mantinham uma união estável há cerca de dois meses, segundo a polícia.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), foram solicitados exames ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) e o caso foi registrado como feminicídio na Delegacia de Cananéia.
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